terça-feira, 18 de dezembro de 2012

BASEADA NESSA HISTORIA DE PADRE LÉO, PEDI A ELE A INTERCESSÃO JUNTO A JESUS PELA MINHA SOBRINHA PATRICIA, NO DIA 14/12/12. DIA EM QUE ELA ESTEVE MUITO MAL.A PARTIR DA MADRUGADA, ELA COMEÇOU A MELHORAR E EM 3 DIAS ESTAVA FORA DE PERIGO

 Dona Nazaré é uma mulher de muita fibra. Muito pobre. Vive sozinha nesse mundo ao lado de sua filha. Uma menina moça que nasceu com sérios problemas sanguíneos.
Desde pequena a menina sempre viveu doente. Poucas foram as noites que dona Nazaré não passou acordada boa parte do tempo tentando aliviar a dor da sua pequena.
Além das muitas dores que sentia em todo o corpo, a menina tinha uma fraqueza tão acentuada que a impediam de fazer até mesmo os serviços mais simples. Por ter que cuidar da filha e sendo sozinha no mundo, dona Nazaré vivia de uma pensão de meio salário mínimo, conseguida a duras penas, graças a ajuda de um vereador da região.
O dinheiro mal dava pra comer quanto mais para comprar os remédios cada dia mais necessários e mais caros.
A menina vivia a base de remédio caseiro e do cuidado primoroso da bondosa mãe.
Infelizmente com o passar do tempo o problema da menina foi piorando.
Naquela manhã, depois de uma noite inteirinha ao lado da filha, dona Nazaré não teve outra saída senão ir até Itajubá, a cidade mais próxima, para ver se conseguia alguma ajuda.
Como não conseguiu dinheiro pra levar a filha que estava fraca demais, tentou ajuda junto aos estudantes de medicina que fazem estagio no hospital universitário. Infelizmente o hospital não dispõe de condições pra fazer o atendimento domiciliar, ainda mais que a paciente estava a 18 km de distância.
Dona Nazaré não desistiu. Mãe não desiste. Foi até a Santa Casa. Quem sabe ali encontraria um médico que pudesse ir até a sua casa pra tentar curar a sua filha. Também lá não conseguiu nada, a não ser a promessa de que se trouxesse a menina, tentariam dar um jeito de interná-la. Mas infelizmente não teriam como deslocar-se até o interior.
Ela ficou pensando.
Pra ir até Delfim Moreira pedir a ambulância da prefeitura é uma viagem fora de mão. Quase impossível.
O jeito era trazer a menina pra Santa Casa de misericórdia de Itajubá. Nasceu no coração daquela mãe aflita um raio de esperança, quem sabe conseguiria alguém que ajudasse a trazer a menina. Decidiu voltar pra casa e pedir ajuda aos vizinhos, pensou especialmente no japonês, um plantador de arroz que tinha um jipe e de vez em quando as presenteava com meio saco de arroz recém colhido. Quando voltava ao mercado municipal, que tomaria um ônibus ou pegaria uma carona, dona Nazaré passou em frente a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade. Como boa mineira, entrou para rezar um pouco. Dentro da Igreja tinha um grupo de animados jovens: rezavam, cantavam, era um grupo carismático. Por alguns instantes dona Nazaré acabou se esquecendo de sua filha doente. A música daqueles jovens era bonita demais. E dona Nazaré foi se misturando ao animado grupo. Depois de algumas suaves canções os jovens começaram a rezar. Cada hora era um que fazia uma oração espontânea. Lindas e profundas orações. Dona Nazaré se sentindo motivada e talvez até contagiada pela fé daqueles jovens, quase da idade da sua filha, também se dispôs a fazer uma oração. Claro que os jovens ficaram felizes. E acolheram com muito carinho a sua disposição.
Mas, quando a mulher começou a oração, alguns dos meninos tiveram que se segurar muito para não cair na gargalhada. Que oração mais estranha aquela mulher estava fazendo. Ela falava com Jesus como se Ele fosse um entregador de pizzas, pensou um dos meninos.
Quem será que Ela pensa que é Jesus pra falar desse jeito com Ele? – questionava intimamente uma das coordenadoras do grupo.
A mulher começava a rezar com devoção. A oração dela:
- Senhor Jesus, olha sou eu, a Nazaré. Não sei se o Senhor se lembra. Sou lá do Biguá. Muitas vezes já conversei com o Senhor na Igreja de São Benedito, lembra?
Pois é Senhor Jesus, o problema da minha menina ta cada vez pior. Essa noite ela não pregou os olhos nem um minuto, nem eu. A pobre da coitadinha gemeu a noite toda. Virava pr’um lado e pro outro. Suava feito uma condenada. Não sei como ela está lá agora. Vim aqui pra ver se achava um médico, pra ir em casa consultar ela. Mas os médicos não podem ir. Se fosse o doutor Gaspar eu sei que ele iria, que Deus o tenha. Lá na Santa Casa, mandaram eu trazer a menina. Como eu vou conseguir fazer isso? Ela ta fraca demais.
Não temos dinheiro pra alugar uma ambulância, até pensei em pedir ajuda pro senhor Toshio, aquele bondoso plantador de arroz, quem sabe ele traz a menina. Mas agora eu to aqui Senhor, eu queria pedir. Já que o Senhor está em todo lugar o Senhor bem que podia ir até lá em casa curar a minha filha. Não custa nada. O senhor sabe e pode.
Os jovens estavam estragando aquela oração. Dois rapazes dos mais novos não conseguiram segurar o riso e chegaram a sair da Igreja. “Onde já se viu uma pessoa rezar desse jeito?” “Até é falta de respeito falar assim com Jesus!” “Ela nem louvou o Senhor!” “Não recitou nenhum versículo da Sagrada Escritura!” “Ela não sabe rezar!” “Com certeza nunca fez uma experiência de oração.” “Sua oração estava atrapalhando o grupo.” “O grupo tava indo tão bem.” – concluiu um dos rapazes que tinha saído.
Dona Nazaré continuou rezando.
- É verdade. O senhor num instantinho podia ir lá em casa curar a menina e já voltava. Não é difícil chegar na nossa casa não. O Senhor pega a rodovia que vai pra Aparecida do Norte, lá eu sei que o Senhor conhece bem, na ponte de Santo Antonio o Senhor entra rumo Delfi Moreira, só que na hora que chegar na água limpa, bem em frente a fábrica de queijo, o Senhor vira pra esquerda, passa a ponte e continua… Depois da ponte não vira pra direita não. Lá vai para o mosteiro de Serra Clara. Minha casa fica para o outro lado. Então o Senhor passa a ponte e segue reto. Em frente sobe um morrinho bem pesado e já vai virando pra direita. Logo o Senhor já chega lá na estação onde antigamente a gente pegava o trem. Não é lá não. Lá tem uma placa com o nome Biguá mas o Biguá é mais pra cima. O Senhor passa a morada do pessoal dos ramos, depois vem a reta do Zé Gaspar, chega na curva da Cridia, ali não vira pro lado da ponte não, passa meio reto pra lado esquerdo, sobe o morrinho do grupo escolar, o Senhor vai passar em frente a casa onde o baiano morava. Depois vem a casa que era do Venazão. Ali tem até um atalho mas é melhor o Senhor ir pela estrada mesmo. Logo depois da curva o Senhor já vai ver a Igreja de São Benedito, ali é fácil. É só o Senhor perguntar na bar do Lourenço que ele sabe onde fica a minha casa, ele vende queijo, é o vereador que arrumou o fundo rural pra nós, é só o Senhor pedir pra ele que até é capaz dele levar o Senhor lá em casa, eu moro pertinho.
A essa altura os jovens já estavam se esforçando para não cair na gargalhada. Era uma experiência inédita além de longa aquilo, segundo eles, não era oração.
Mas dona Nazaré continuou:
- A hora que o Senhor chegar lá em casa a portas vai tá trancada, não tem problema, a chave ta no vaso de flor que fica pendurado no alpendre. O senhor pode entrar, cura a minha filha e depois, por favor, tranca de novo a porta, que eu me preocupo muito com a menina.
Depois que o senhor curar ela, é só fechar a porta, colocar a chave no mesmo vaso que a hora que eu chegar eu acho e entro.
O jovem que tocava o violão começou a tocar uma musica e cantar bem alto, dona Nazaré parou de rezar, saiu da Igreja até meio triste, nem deu tempo pra ela dizer pro nosso Senhor que tinha café no bule em cima do fogão de lenha, caso Ele quisesse tomar um golinho. E no forninho tinha bolão de fubá. Paciência. Ater que o jovem cantava bonito. – Só foi meio grosseiro interrompendo a minha oração. – Com o pensamento continuou rezando. Desceu a escadaria da matriz, atravessou a ponte que antigamente era muito mais bonita quando tinha os dois arcos, e foi na direção do mercado. Quem sabe um filho de Deus não lhe daria uma carona! Graças a Deus conseguiu a carona num caminhão de Sento Silva. Um pouco mais de meia hora lá estava ela de volta, sem remédio, e com a esperança de pedir ao Senhor Toshio que levasse a menina pra Santa Casa. Qual não foi a sua surpresa ao abrir a porta de sua casinha e encontrou a menina sentada, comendo um delicioso prato de arroz doce, a sua filha querida.
A menina deu um pulo de alegria e veio correndo abraçar a mãe. Dona Nazaré ficou estupefata. Já tinha até se esquecido da sua reza na Igreja.
- Minha filha, você de pé? Que cara mais boa. Como é que isso aconteceu?
E a menina começou a explicar:
- Olha mamãe, eu estava deitada, como a senhora me deixou, rezei meu terço da misericórdia junto com a Eliana Sá, escutando a rádio Canção Nova. E acabei cochilando ouvindo o Diácono Nelsinho Correia cantar Quem Me Segurou Foi Deus. De repente, eu escutei um barulho na porta, como estava quase dormindo achei que fosse a senhora, que já tinha voltado. Nossa mamãe, quase eu morri! Não era a senhora. Era um homem muito bonito, grande, risonho. Ele usava uma roupa diferente, tinha um cabelo enorme. Me olhou como nunca ninguém me olhou na vida. Ele foi chegando perto de mim e eu fui perdendo o medo. Comecei a sentir um negócio que parecia um choque elétrico, meu sangue parece que fervia. Ele não falou nada. Foi chegando em silêncio, devagarinho. Com um baita sorriso nos lábios. Chegou perto da minha cama, me estendeu a mão, pensei que fosse um médico. Tentei perguntar pela senhora mas as palavras não saiam. Eu falava mas não escutava nada. Eu acho que tava muda, surda, não sei. Só sei que Ele me segurou firme pela mão, foi me levantando vagarosamente, me colocou de pé, e me deu um grande abraço.
Com os olhos cheios de lágrimas, dona Nazaré foi repetindo quase que inconscientemente os gestos como a menina ia descrevendo. E ela, com os olhos molhados de lágrimas continuou:
- Depois de me abraçar demoradamente Ele foi saindo bem devagarinho, deu um gostoso beijo na minha testa e foi se afastando, quando estava quase perto da porta Ele fez um sinal de tchau e falou: – Diga pra sua mãe que Eu vou deixar a chave no vaso de flor. Ele ainda completou. – Gostei muito da flor. É a primeira vez que eu vejo lágrimas de Cristo em vaso. Adorei a idéia.
Claro, nenhuma das duas conseguiu achar palavras para manifestar a sua gratidão a Jesus, a única coisa que fizeram, foi buscar aquele vaso de lágrimas de Cristo, colocá-lo sobre a mesa, perto do rádio, beijá-lo com um carinho quase sacramental e olhando o pequeno crucifixo na parede fizeram chegar até o céu uma linda oração de louvor:
- Muito obrigado Senhor, viu, o Senhor achou direitinho. Eu não falei que era fácil? Brigada mesmo. Eu tinha certeza que podia contar com o Senhor.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

UM MERECIDO DESCANSO PARA O GATO


 NA PAZ DE UMA LINDA MANHÃ,
NO ACONCHEGANTE E MACIO LENÇOL,
SOBRE A CAMA AINDA QUENTINHA.
DEIXADA POR QUEM ÀS PRESSAS SAIU,
TALVEZ ATRASADO...
DESCANSA AGORA
CALMAMENTE RELAXADO,
UM GATO.
APROVEITA A VIDA COMO DEVE SER.
PARA ELE UM ACONCHEGO DE PRAZER,
REINA O SILÊNCIO E UM ÚNICO SOM ENCHE O AMBIENTE,
O RONRONAR DO SEU PEITO CONTENTE. 
Razanil Shamir



terça-feira, 13 de novembro de 2012

ABSOLUTA


NÃO SOU O RESTO DE NADA, NEM DE LEMBRANÇAS, NEM DE DESEJOS.
SOU INTEIRA, E O QUE  EU DEIXO  SÃO RECORDAÇÕES E SENSAÇÕES.
NUNCA SEREI METADE DE NINGUEM, SEREI EU PLENAMENTE.  E CADA VEZ QUE ME DÔO NÃO HÁ DIMINUIÇÃO DE COISA QUALQUER.
SOU COMO A CHAMA DE UMA VELA ACENDENDO A TODAS AS OUTRAS, AUMENTANDO O CALOR SEM PREJUIZO NENHUM PARA MINHA LUZ PRÓPRIA.
Razanil Shamir
13/11/12

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

SEM RASTROS E VESTIGIOS


NEM SEI POR ONDE IREI.
MAS EU VOU.
VOU POR LÁ OU POR CÁ,
FELIZ OU NÃO,
QUE IMPORTA AGORA?
ESTOU INDO EMBORA.
VOU SEM MEDO
VOU SEM BAGAGENS E  CONTRADIÇÕES
COISAS E VICIO  ADQUIRIDOS
POR CULPAS OU DECEPÇÕES.
SE ESTIVE  POR PERTO
E POR QUE AINDA ACREDITAVA
MAS  QUE NADA, QUE NADA.
AGORA CHEGA DE FARSAS,
DE MEIAS VERDADES,
DE COISAS CANSADAS.
VOU SAINDO VIDA  AFORA
SEM DEIXAR RASTROS OU VESTIGIOS
TODAS AS GAVETAS ESVAZIEI,
O QUE RESTOU, SOBRE A MESA DEIXEI
FOTOS AMARELADAS,
CARTAS APAGADAS.
RESTOS DE DESEJOS ESQUECIDOS
E PROPOSITOS  PERDIDOS,
PEDAÇOS PARTIDOS, ESMIUÇADOS
DE DOIS CORAÇÕES  RESOLVIDOS.
Razanil Shamir
10/09/2012

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

AMADA

 NA ALEGRIA
NO INESPERADO,
NO MEIO DE EMOÇÕES
E DE ILUSÕES
SOU COMO POEIRA DE ESTRELAS
GUARDADA EM TUAS MÃOS.
REINO ABSOLUTA
EM TUA CASA,
SOU A SINTESE,
A MULHER DESEJADA
POR TI BUSCADA.
QUIETA E FECUNDA
TERNURA TRANBORDANTE
SERENA SOSSEGADA
ALMA GÊMEA
TUA AMADA.
Razanil Shamir
060812

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O FIM DO CAMINHO


QUERIA CANTAR NO FEITIO DE UMA ORAÇÃO
MAS VOU DIZER COM POESIA,
A QUANTAS  ANDA MEU CORAÇÃO... SOFRIDO CORAÇÃO.
NAS LARGAS AVENIDAS, NAS VIELAS ESCURAS.
NESSA HORA SOMBRIA DE NOSSA  EXPECTATIVA
CORAÇÃO SANGRANDO  COM O TEU CORAÇÃO ...
NÃO TENHO  OS OLHOS ILUMINADOS,
ESTA POR DENTRO TODO  TUDO APAGADO
UM MEDO ENRAIZADO DE NÃO CONSEGUIR  IR
TRISTES DIAS AMARGOS, FEITO TAPETE  ENROLADO
ESQUECIDO COM TUDO QUE FOI  DEIXADO,
NO NOSSO SONHADO E  VAZIO    CHÃO.
MOMENTOS DIFICEIS
E PENSAR QUE ACABOU TÃO  ASSIM.
NÃO ENXERGUEI O COMEÇO DESSA MEADA
TALVEZ POR ISSO CUSTO  A  CRER NO FIM
EU   NUNCA IMAGINEI  QUE IA  DAR EM NADA
COMO  OS SONHOS DESFEITOS SEM REDENÇÃO
SONHO ESSE QUE  AGORA NOS DESPERTA.
PARA O  FECHAR DA ÚLTIMA PORTA
NO FIM DESSA HISTÓRIA.
OLHOS VERMELHOS DE QUEM CHORA
COM  SAUDADES  DE UMA VIAGEM JAMAIS  VIVIDA
A TERRA,  AO CHÃO DO ORIENTE
CAMINHOS, HORIZONTES, SOL  ARDENTE
MIL E UMA NOITES DE  MAGIA E  ILUSÃO.
*
ENEIDA RAZANIL SHAMIR
02/08/2012
CHÃO DO ORIENTE -VOU SENTIR SAUDADES

terça-feira, 24 de julho de 2012

FOLHA VERDE...SAUDADE...MAR...

Lá se vai à folha verde, correnteza adiante,
A lagrima de meus olhos sobre a folha verde vai também
A chuva que cai e confunde água, lagrima e mar,
E a folha solitária, que sobre a água dança, na força da correnteza,
Correndo célere, sobre as águas, contornando as pedras, corre a dançar,
e sobre outras águas mais mansas, anda a deslizar.
Inocente e feliz folha, longe agora de seu lugar, para ver o grande mar,
Em breve lá estará.
Vai de encontro a outro mundo de águas desconhecidas...
Assim sou eu, a folha feliz, inocente, deslizando por mares a navegar
Sou a folha viva, a deriva, no mar da vida.
Indo de encontro ao imenso lagar,
Onde a  saudade eu vou  mergulhar.
Eneida Razanil Shamir
2011