segunda-feira, 20 de julho de 2015

DEVAGARINHO



Agora eu  ando quieta
Mansa e silenciosa
Não deixo mais a voz impetuosa a me guiar
Posso até me sentar, a beira do caminho.
Se bem, que a beira do lago é mais meu lugar.
E perscrutar o silencio falando na voz do vento
Na beleza do canto simples de um passarinho
Cantando seu lamento de ser também sozinho
Agora, somente  agora desci dos saltos
E ando  descalça...  cortei os cabelos  para descomplicar
Sigo pelo mesmo caminho, bem devagar... Devagarinho
Atenta a tudo que antes,  outros motivos, me impediam de enxergar
Razanil Shamir
20072015

segunda-feira, 1 de junho de 2015

A MAIS LINDA HISTORIA DE QUANDO OS REIS MAGOS ENCONTRARAM JESUS MENINO (Rubem Alves)


           “O UNIVERSO É UM BERÇO ONDE UMA CRIANÇA DORME !”      
A estrela iluminava uma gruta. Os reis se aproximaram Na gruta havia vacas, cavalos burros, ovelhas. Era uma estrebaria. Mas, junto com os animais, uma pequena família: um jovem e uma jovem que amamentava um nenezinho recém-nascido. Era só isso. Nada mais.
Perceberam que haviam se enganado: não era a estrela que iluminava a cena. Era o nenezinho que iluminava a estrela. E olhando bem para ela puderam ver, nela refletido como num espelho, o rosto da criancinha. E disseram: “O universo é um berço onde uma criança dorme!“.
Aí uma coisa estranha aconteceu: ao olhar para o nenezinho os reis perdiam a sua compostura real; eram dominados por uma vontade incontrolável de rir. E quando riam, ficavam leves e começavam a flutuar. Era assim: quem visse o menino se transformava em anjo...
Os reis, em meio aos risos e voos, olharam cada um para o outro e disseram: “Nossa busca chegou ao fim. Encontramos a alegria. Para se ter alegria é preciso voltar a ser criança...“. Ato contínuo tomaram suas coroas, capas de veludo, dinheiro, ouro, joias – coisas de adulto - e as depuseram no chão, ao lado das vacas e dos burros... Eram pesadas demais. E partiram leves, ora andando, ora pulando, ora voando, mas sempre rindo.
“Vou mudar de vida“, disse Gaspar. “É horrível ter de estar estudando ciência o tempo todo. Vou me transformar em poeta...” · “Eu também vou mudar de vida“, disse Baltazar. “É horrível estar rezando o tempo todo. Vou ser palhaço. O riso é o início da oração.” ·Ao que Mélkior acrescentou: “E eu descobri o prazer supremo, que vem sempre acompanhado de alegria : brincar. Vou ser um fabricante de brinquedos. Quem brinca volta a ser criança. E quem volta a ser criança está de volta no Paraíso.“.
E assim partiram, cada um por num caminho. E se você, nas suas andanças, se encontrar com um poeta, um palhaço ou um fabricante de brinquedos, pergunte se ele não tem notícias de uns três reis...
(RUBEM  ALVES - Transparências da eternidade, Verus, 2002)

quarta-feira, 15 de abril de 2015

POR QUE QUERES ASSIM ?





Conta à história e fala de mim, fala do tempo escondido, dos dias perdidos e de grandes inquietações.
Por que pedes  que eu me deixe levar por tuas mãos, feito tuas  poesias.
A iminência sôfrega  a pedir que não partas,  partindo o meu coração
Escondes  de mim teus olhos e me entregas a ausência de tua existência
Porque queres que eu te diga que estou feliz? Não é verdade, estou à míngua e de  teus lábios, tenho saudades, de teus dedos escondidos em minha carne,em horas que suspeitávamos estar no céu sem merecer.
Quando em  tardes mornas caminho perdida por nossas esquinas imaginarias, mundo a fora, contigo ao meu lado em  longas  viagens, conhecendo os lugares premeditados e combinados,  nos nossos momentos de paixão.
Porque  estou aqui agora, compondo sozinha a nossa história, esquecida por você que atravessou a minha trajetória, contou todas as minhas lágrimas, emendou nos teus braços o meu cansaço, e depois ganhou asas, e partiu em retirada, como ave de arribação.
Razanil Shamir
15/05/2015

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

PAISAGEM



Silêncio, a noite vigia sobre o clarão do dia, e as estrelas iluminam o caminho e as trilhas da sonora cascatinha que desagua serena com sua voz de chuva no imenso mar.
Razanil Shamir

23/02/15





http://bvespirita.com/Por Trás do Véu de Ísis (Marcel Souto Maior).pdf